Tem pai que é cego

E não consegue enxergar o que está fazendo com sua relação com seu filho.

Minha mãe falava que, quando pequena, era amiga de uma menina que tinha muitos irmãos. Todo dia, quando o pai chegava em casa, a mãe contava as desobediências das crianças e o pai dava uma surra em cada um. Um certo dia o pai morreu e quando minha mãe procurou-a para oferecer consolo ela falou:

“Tem pai que quando morre é um alívio, não é?”

No próximo domingo, 13/08, é Dia dos Pais. Você é um presente de Deus para seus filhos ou quando não está é um alívio?

Ser pai é um papel a ser desempenhado com responsabilidade e equilíbrio emocional. Bons pais se informam permanentemente sobre a melhor forma de educar, sabem com quem seus filhos estão se relacionando para protegê-los e direcioná-los.

O jeito de ser de cada um definirá a forma como irão se relacionar e o grau de sintonia e harmonia desta relação. Não existem regras definidas. Estas serão formatadas a partir do conhecimento do seu temperamento e do temperamento do seu filho.

Bons pais buscam equilibrar seus temperamentos para terem atitudes equilibradas podendo ajudar ou dar limites quando necessário. A falta do conhecimento sobre o desenvolvimento físico e emocional da criança e do adolescente, faz com que os pais, temendo estar faltando com o respeito à individualidade, se vejam sem pulso para competirem com o meio lá fora, perdendo espaço para as influências externas. Ser pai é um aprendizado constante porque cada idade do filho exige comportamentos diferentes.

Se você quer ser um bom pai, abra os olhos. Enxugue os exageros do seu temperamento e desenvolva aspectos que lhe falta para poder assumir a condução de um ser humano totalmente despreparado para a vida que Deus está colocando em suas mãos.

Coloque esta relação de pai e filho dentro de uma redoma para que não sofra os respingos dos possíveis desentendimentos do seu relacionamento conjugal. Não faça do seu filho uma arma contra sua ex-esposa. Ele sofrerá danos muitas vezes difíceis de consertar.

Não precisa ser herói. Basta ser verdadeiro. Pessoas de bem erram, reconhecem e buscam acertar. Filhos não precisam de pais perfeitos. Eles são capazes de entender separações, desencontros, possíveis erros de atitudes, momentos de depressão, de choro, isto torna os pais humanos. Eles precisam sim entender o que está se passando e sentir que o pai está procurando fazer o seu melhor. Precisam estar seguros de que nunca lhes faltará a sua presença nem o seu suporte.

Ser tudo isso exige preparo interior para vencer a si mesmo e poder ser referência, exemplo. Ser exemplo não é ser perfeito. É ser digno de ser seguido. É valer a pena ser imitado porque os resultados foram positivos. Quem se orgulha, segue. Para ser imitado é preciso estar presente.

Nunca, em nenhum momento, algo substituirá a lembrança positiva de uma atitude de um pai em momentos de insegurança, de angústia ou de dor, em qualquer idade que o filho tenha passado por estes momentos.

Esta é uma relação para a eternidade, recheada de amor, dedicação e compreensão. Pai é porto seguro em qualquer situação.

Feliz Dia dos Pais!

Vânia Portela

Por Vânia Portela
Sócia da Portela & Cavalcanti – Gestão Estratégica de Pessoas & Coaching. Psicóloga clínica e palestrante, com 33 anos de experiência em programas de mudança, desenvolvimento pessoal e comportamental. Possui especialização em Dinâmica de Grupos, Psicoterapia da Família, Análise Transacional, Pós-Graduação em Psicologia da Família, Neurolinguística e Bioenergética, entre outros.